quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

VAMPIROS - REIGN IN BLOOD

A figura do vampiro (personagem oriundo da literatura de horror e da mitologia) há tempos é suscitada e até mesmo cultuada, havendo registro de lendas sobre criaturas que sugavam sangue de seres humanos e animais de grande porte até mesmo no Antigo Egito, na Suméria e na Mesopotâmia.

Bela Lugosi como Conde Drácula

Certo é que existem várias peculiaridades que fazem parte dessa mitologia, uma delas e a mais comum é o fato de eles se alimentarem de sangue humano, outros pontos que às vezes diferem é quanto a não saírem à luz do sol, se transformarem em morcego ou temerem objetos sagrados.

No entanto, cada autor ou mito, detém sua característica marcante desse ser das trevas.

Seu poder de sedução ao imaginário popular é tão grande que já rendeu várias lendas, pesquisas, filmes, livros, games (RPG), desenhos, histórias em quadrinhos e ainda parece não ter se esgotado, de tanta cultura sobre o tema que surge cotidianamente.

O Vampiro já faz parte do gosto e temor popular de vários países, gerando campeões de bilheteria nos cinemas e “best sellers” de vendas nas livrarias, inclusive no Brasil.

É bem verdade que hoje em dia referido personagem já não mete mais tanto medo como antigamente, pois, a onda agora são vampiros “teens”, bonzinhos e com caras de adolescentes (vide a Trilogia Crepúsculo).

Confesso a vocês que aprecio uma boa história vampiresca e sempre que posso revejo alguns clássicos do cinema mundial que considero.


O Filme - A Sombra do Vampiro

A palavra Vampiro surgiu por volta do século XVIII. Tem origem no idioma sérvio como Vampir, e sua forma básica é invariável nos idiomas tcheco, russo, búlgaro e húngaro.

Lendas oriundas da Eslováquia e da Hungria, estabelecem que a alma de um suicida deixava seu sepulcro durante as noites para atacar os humanos, sugava o sangue e retornava como morcego para o túmulo, antes do nascer do sol. Assim, suas vítimas também tornavam-se vampiros após a morte.

Outros mitos pregam que as pessoas que morrem excomungadas, tornam-se mortos-vivos vagando pela noite e alimentando-se de sangue, até que os sacramentos da Igreja os libertem. Crianças não-batizadas, e o sétimo filho de um sétimo filho também se tornariam vampiros.

A relação estabelecida entre a longevidade e a sede pelo sangue (que caracteriza a imagem mais comum dos vampiros), deve-se possivelmente, a personagens lendários que viviam anos incalculáveis alimentando-se de sangue humano, após terem firmado supostos pactos com entidades malignas. Outras versões são encontradas em diferentes culturas, e todas combinam fatos históricos com a crendice regional. Portanto, a maior parte dos povos possui uma entidade sobrenatural que alimenta-se de sangue, imortal e considerada maldita. O mito do vampiro é um ponto comum entre várias civilizações desde a Antigüidade

Certo é que é muito difícil estabelecer um limite entre os fatos e as lendas que circundam o mito vampírico, já que boa parte destas informações confunde-se entre os relatos e pesquisas históricas coerentes, com a ficção dos filmes, com a literatura e RPG’s.

Vlad III - tinha o hábito de empalar
 suas vítimas na guerra
Uma das maiores referências do mito vampírico é o sanguinário Vlad Tepes (ou Vlad III), que existiu realmente no século XV na Transilvânia. Porém, ele governou apenas a Valáquia, que era uma região vizinha. Apesar da crueldade extrema com os inimigos, Vlad III não possuía nenhuma ligação com os vampiros. O termo Drácula (Dracul, originalmente significa Dragão) foi herdado de seu pai, Vlad II, que foi cavaleiro da Ordem do Dragão. Provavelmente, a confusão se deu através da semelhança entre os termos Drache, que era o título de nobreza atribuído à Vlad II, e Drac que significa Diabo.

A relação entre Vlad III e o mito vampírico foi dada pelo escritor Bram Stocker. O autor de Drácula inspirou-se (provavelmente) nas atrocidades cometidas por Vlad III, e as incorporou em seu personagem principal. A partir deste momento, Vampiro e Drácula tornaram-se praticamente sinônimos na literatura e nas crenças populares.

No Brasil também encontra-se mitos relacionados aos vampiros e outros seres semelhantes. Neste caso, os registros entrelaçam-se com o rico folclore das várias regiões do país. Desde os centros urbanos, até as áreas menos desenvolvidas do Brasil, é comum ouvir-se relatos dos ataques sanguinários de criaturas que perambulam pelas madrugadas. Na maioria das vezes, essas histórias assemelham-se muito com as lendas européias.

Na mitologia indígena existe o Cupendipe, que apesar de não possuir a sede de sangue caracterizada pelos vampiros, possui asas de morcego, sai de sua gruta apenas durante a noite e ataca as pessoas usando um machado.

No nordeste brasileiro conta-se a história do Encourado. Um homem de hábitos noturnos, que usa trajes de couro preto, exalando um odor de sangria. O Encourado ataca animais e seres humanos para sugar-lhes o sangue. Prefere as pessoas que não freqüentam igrejas. Porém, os habitantes das cidades por onde o Encourado passa, oferecem-lhe o sacrifício de criminosos, crianças ou animais de pequeno porte.

Uma das mais lendas mais populares dos nossos dias é o “chupacabra”.

Gary Oldman como Drácula do filme de Coppola
Vale destacar que o que parece ser universal quanto ao Vampiro e as demais lendas em todo o mundo é a sua ligação com o medo da morte e o desejo de imortalidade.

O ritual de beber sangue para vencer a morte foi praticado por muitos povos, os Aztecas, por exemplo, comiam o coração e bebiam o sangue dos captivos em cerimónias rituais para satisfazer os deuses e ganharem para eles fertilidade e imortalidade. Também nos ritos de Dionisius e Mithras, em que o beber sangue de animais era requerido para a busca da imortalidade.

Portanto nobres amigos existem várias lendas e atribuições históricas acerca do vampiro, para ilustrar melhor se faz necessário destacar alguns filmes, livros e materiais sobre o tema, senão vejamos:

Nos cinemas:

“Nosferatu” foi o primeiro clássico, vindo do cinema mudo de F. W. Murnau (1922).

Mas o início realmente da fama dos vampiros nos cinemas se deu pela interpretação de Bela Lugosi em 1931. O enigmático ator vivia 'Drácula', baseado no romance de 1897 escrito pelo autor irlandês Bram Stoker, tendo como protagonista o vampiro Conde Drácula.

Christopher Lee
Em 1958, Christopher Lee assumiu o papel herdado de Lugosi, e gravou um novo 'Drácula'.

Na década de 80, os vampiros dominaram as produções com os filmes: “Os Garotos Perdidos”, “A Hora do Espanto” e “Fome De Viver” foram sucessos absolutos.

Nos anos 90, “Dracula de Bram Stoker” e “Entrevista com o Vampiro” deram um tom épico ao tema, com superproduções que foram sucesso absoluto nas bilheterias e que para mim são os melhores.

Mas também teve espaço para filmes divertidos que nunca alcançaram o sucesso nos cinemas, como “Buffy - A Caça Vampiros” e “Um Drink no Inferno” do aclamado Robert Rodriguez, com George Clooney, Salma Hayek, Harvey Keitel e Quentin Tarantino.

Os filmes sobre vampiros se recriavam através das décadas.


A Entrevista com o Vampiro
da obra de Anne Rice
Nesta década, vale destaque “A Sombra do Vampiro” com Jhon Malkovich e Willem Dafoe; “Blade II e III – o caçador de Vampiros” baseado nas histórias da Marvel; a trilogia “Anjos da Noite” (muito boa por sinal); Van Helsing e a franquia “Crepúsculo”, que mexeu com o imaginário teen, retornando os adormecidos vampiros e voltando a lançar moda e que confesso tive que assistir por causa de minha filha Viviane.

O gênero também ganhou comédias envolvendo os vampiros: “A Dança dos Vampiros de 1967 do grande diretor Roman Polanski; “Amor à Primeira Mordida”, com Nicolas Cage; “Procura-se Rapaz Virgem”, com Jim Carrey; ambos da década de 80 ainda e recentemente “Vampiros me mordam”.
Na TV também existem vários destaques no que diz respeito às séries (Vampire Diaries, True Blood, Moonlight, Blood Tiés, Blade, Angel, e Buffy) e até mesmo na dramaturgia das telenovelas brasileiras (O Beijo do Vampiro e Vampi)

Na literatura:

→ As Crônicas Vampirescas (The Vampire Chronicles) – Anne Rice, dividido em 3 livros:

- Livro 1 – Entrevista com o Vampiro – que também virou filme, no qual a autora fez questão de acompanhar de perto, fazendo consultorias e dando palpites, vale destacar que inicialmente ela não concordava com Tom Cruise sendo o Vampiro Lestat, mas depois confessou ter gostado da obra acabada.
- Livro 2 – O Vampiro Lestat - Lestat é o principal anti-herói das “Crônicas Vampirescas” de Anne Rice. Ele é perverso, mau, sádico e sedutor. Tudo ao mesmo tempo.
- Livro 3 – A Rainha dos Condenados - Anne Rice, com maestria, nos leva a conhecer a história por trás do surgimento dos vampiros – ao menos no universo por ela criado. (Também virou filme, mas confesso que particularmente achei péssima sua transposição para as telas)
Livro de Andre Vianco
Autor Brasileiro

→ Drácula – Bram Stoker - é um romance de 1897, de autoria do irlandês Bram Stoker, tendo como principal personagem e antagonista, o vampiro Conde Drácula. A obra serviu de inspiração ao famoso filme de Francis Ford Coppola (para mim o melhor filme até hoje sobre o tema). No entanto, a obra de Coppola, apesar de espetacular, não é uma reprodução fiel do romance original. Este livro é a gênese do vampiro no imaginário ocidental. Desde seu lançamento, em 1898, tornou-se num êxito comercial. Drácula foi imortalizado por Bela Lugosi e por Cristopher Lee e, como mencionado por F.F. Coppola.

→ A Hora do Vampiro – The Salem’s Lot – Stephen King;

→ A Enciclopédia dos Vampiros – Dr. J. Gordon Melton;

→ House of Night (série) - P.C. Cast e Kristin Cast;

→ Bento, O Vampiro-rei I e II, Os Sete, Sétimo, O Senhor da Chuva - André Vianco;

→ Saga Crepúsculo - Stephenie Meyer (sucesso da rapaziada nos cinemas)

Dessa forma, termino meu texto sobre o tema de Vampiros, boas mordidas por aí meus nobres amigos das trevas, vale a pena ver ou ler algumas das obras acima citadas e cuidado com as estacas no coração, grande abraço!!!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CANASTRA

CANASTRA

Sobre a serra
e sobre as nuvens
e sobre os pássaros
ao lado do rio e pedras,
margem de ventos. E assim,
alguns ecos, uivos assoviam

de algum lugar adiante fala
a flor, desenhada sede de céu,
os mistérios da alcatéia, feita de carne.

José Aloise Bahia, Belo Horizonte, MG, Outubro de 2010.

O Texto que agora escrevo é sobre o Parque Nacional da Serra da Canastra, que fica próximo à minha querida cidade natal de Bambuí, que também pertence ao Circuito da Serra da Canastra, juntamente com São Roque de Minas, Araxá, Campos Altos, Ibiá, Medeiros, Perdizes, Sacramento, Tapira, Tapiraí e São João Batista do Glória

Primeiramente vale destacar que escrevo sobre este tema por dica de meu primo José Aloise Bahia, que também me prestigiou com seu poema que também ilustra acima o presente post.

Durante anos a região esteve isolada e desconhecida do resto do mundo sendo visitada e conhecida apenas pelos habitantes da região do centro oeste ou do sudoeste de Minas Gerais, mas há poucos anos entrou para roteiros de viagem como lugar privilegiado que é para prática de esportes radicais, por suas belezas naturais e turismo ecológico.



Antes de adentrarmos no tema vale destacar quanto ao Chapadão da Zagaia, que é onde nasce o “Velho Chico” surgindo como um filete e cerca de 20 km após, suas águas são engrossadas por águas de outras nascentes que também despencam do Chapadão formando a cachoeira do “Casca Dantas”, num salto de quase 200 metros de altura, vale destacar também que encontrei artigos mencionando serem 100 metros, numa beleza extasiante, visitada, em 1819, pelo naturalista francês, Auguste de Sain-Hilaire.

Na região do Chapadão da Zagaia meu grande amigo de infância Edmar Torres tem uma propriedade, que pertencia a seu falecido pai Guy Torres, sendo inclusive objeto de desapropriação de parte dela pelo INCRA para a formação do que hoje pertence ao Parque Nacional, onde minha turma sempre passava férias, nadando em suas cachoeiras, riachos e ainda passando por várias aventuras, que muitas vezes era sinônimo de muitas histórias e gargalhadas de toda a turma por muito tempo, infelizmente naquela época eu que comecei a trabalhar desde cedo não podia ter o “luxo” de ter férias (não existia lei trabalhista decente em minha cidade!), portanto não pude usufruir a companhia de meus grandes amigos e das grandes aventuras no travadas no Chapadão.

Existem várias histórias e estórias que contam acerca do nome da Região Zagaia, mas eu gosto da que foi atribuída sua autoria a Hidelbrando Araújo Pontes, um engenheiro, político, que foi prefeito de Uberaba nos idos de 1915, senão vejamos:

Conta a lenda que nas fraldas da Serra da Canastra existiu um rancho que se tornou conhecido pelos crimes bárbaros que lá ocorreram.



O Rancho do Zagaia, nome dado ao local porque o dono se apresentava sempre portando essa arma (segundo o dicionário da Internet - lança curta de arremesso), ficava no trajeto de quem ia ou vinha do Desemboque, dando pousada e descanso (no caso descanso eterno) aos viajantes carregados de mercadorias, gado ou dinheiro, que chegavam das andanças pelas estradas empoeiradas de Minas.

Àquele tempo do século XVIII, mais precisamente em 1777, quando a extração de ouro e pedras preciosas era difícil de controlar pelos “troços” da Coroa portuguesa (Lei do Quinto), devido à extensa área a cuidar, os roubos, assaltos e assassinatos eram freqüentes.

A casa do rancho era grande o suficiente para abrigar a família de bandidos que lá habitava e os andantes que procuravam comida e pouso. A quadrilha atuava à calada da noite, quando todos se deitavam.

Os malfeitores tinham sobre as camas, no alto do teto, grossas pranchas de madeira que encobriam e disfarçavam pesadas lajes de pedra, usadas como contrapeso, sustentadas engenhosamente por fortes cordas que iam dar a outro aposento, num sistema de roldanas que os bandidos controlavam no ato bárbaro de esmagar as suas pobres e indefesas vitimas enquanto dormiam.

Os bandidos matavam, espoliavam as vitimas e depois jogavam os cadáveres numa grande vala escondida na fazenda.

Portanto, essa é a história ou estória como queiram, que é contada, se realmente foi verdade não sabemos ao certo.

Voltando ao tema do Parque da Serra da Canastra:

A região ecoturística da Serra da Canastra tem mais de 200 mil hectares ou 715 Km2 e abrange 6 municípios: São Roque de Minas, Vargem Bonita, Sacramento, Delfinópolis, São João Batista do Glória e Capitólio.

A maior atração é o Parque Nacional da Serra da Canastra, criado em 1972 para proteger as nascentes do rio São Francisco e tem a portaria principal a 8 km de São roque de Minas. Dentro do Parque Nacional estão alguns dos mais belos cartões postais do Brasil, que é a cachoeira Casca D'Anta, de quase 200 metros, a primeira grande queda do "velho Chico", além da cachoeira do Rolinho, Garagem de Pedras e Serra da Babilônia, sendo essas as mais procuradas.

A região é o berço de muitos rios que ajudam a formar as bacias do São Francisco e do Paraná. Rios de uma infância ruidosa, cheia de corredeiras e cachoeiras.

A paisagem se alterna entre campos rupestres cheios de delicadas flores como por exemplo canela-de-ema, fruta-de-lobo, pequi e pau-de-colher, sua vegetação é típica de transição entre o Cerrado e a Mata Atlântica com matas de galerias com exuberante vegetação atlântica. É nesse ambiente que vivem protegidas espécies de animais ameaçados de extinção, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o tatu-canastra, o tucano Açu, a ema, o canário da terra, dentre outros, mas não é uma fauna muito diversificada.



O relevo do Parque é caracterizado por dois chapadões: o da Serra da Canastra e o da Zagaia, tendo ainda um perfil plano. As encostas dos chapadões consistem em descidas íngremes e precipícios.

O clima da região é subtropical com temperaturas médias anuais de 17°C no inverno e 23°C no verão. Um bom período para visitar o parque vai de abril a outubro, quando chove menos e as águas das cachoeiras ficam mais cristalinas. Novembro e dezembro são meses de bastante chuva. O mês mais frio é julho e os mais quentes são janeiro e fevereiro. A época ideal para visitação é de abril a outubro.

A vida rural mantém as velhas tradições da cultura da região, como a arquitetura do século 19, os muros de pedra sem cimento, o queijo canastra, muito famoso e mundialmente conhecido e os carros de boi.

Tudo forma um conjunto de rara beleza ainda preservado.

Vale destacar que existem várias instruções a serem seguidas, quais sejam:

1) Para sua segurança, a entrada e o consumo de bebidas alcoólicas não são permitidos;
2) A entrada e o uso de equipamentos coletivos de som não são permitidos, por perturbarem a fauna e visitantes;
3) No Parque, só é permitido trafegar nas estradas abertas à visitação. A velocidade máxima é 40 km/hora;
4) Em sua visita ao Parque não colete nada, principalmente plantas, animais e rochas;
5) Para sua segurança a prática de esportes radicais como: rapel, canyoning, tirolesa, pêndulo, escalada e outros não são permitidos no Parque;
6) É permitido fazer churrasco somente na parte baixa do Parque-Portaria Casca D’anta;
7) Em sua visita ao Parque retorne com o lixo para as Portarias, por gentileza;
8) A entrada de animais domésticos no Parque não é permitida;
9) Em Unidades de Conservação não é permitida a entrada de visitantes portando armas, materiais ou instrumentos destinados a corte, caça e pesca;
10) Para sua segurança é aconselhável o uso de sapato fechado, antiderrapante e confortável. (Em caso de qualquer irregularidade, será aplicada multa prevista em Lei).

O Parque é aberto à visitação todos os dias, de 8:00 às 18:00 hs e é cobrado um valor pequeno para entrar no parque. O parque conta com Centro de Visitantes e alojamento para pequenos grupos e pesquisadores. Delfinópolis e São Roque de Minas possuem infra-estrutura simples com pequenos hotéis, pousadas, campings e restaurantes.

Portanto, meus amigos vale a pena conhecer a região e claro prestigiar o Circuito da Serra da Canastra com suas belezas exuberantes

Para saber mais, vale consultar:
1 . O RIO SÃO FRANCISCO - Fator precípuo da existência do Brasil - Geraldo Rocha - Companhia Editora Nacional 3ª edição - 1993.
2 . Solo a Água no Polígono das Secas - José Guimarães Duque - Mossoró - Fundação Guimarães Duque - RGN - 1980.
3 . S.O.S São Francisco - Associação - Salvador - Bahia (CEEIVASF).
4 . Associação P’RA BARCA ANDAR - Montes Claros - Minas Gerais.
5 . Transposição das Águas do São Francisco e Tocantins, para o Semi-árido Nordestino - (Avaliação Preliminar) - Ministério das Minas e Energia - Brasília - 1993.
6 . Oficina do São Francisco - Movimento Produção e Cultura - Recife - PE - 1991.
7 . Rio São Francisco: um depoimento - Mansueto de Lavor - Câmara dos Deputados - Brasília - 1983.
8 . TIERRA NUESTRA - Revista Latino Americana Al Servício, de Las Organizaciones Populares, número 3 - El Rio São Francisco: uma vena que se seca em el Brasil - Leo Gabriel.
9 . Rio São Francisco e Irrigação - Marcos Freire - Câmara Federal - Brasília - 1972.
10 . São Francisco - O rio da unidade - CODEVASF - Brasília, 1978.
11 . Agrônomo afirma que Transposição de águas não é alta prioridade - Jorge Coelho - Diário de Pernambuco - Novembro - 29 - 1983.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

IMAGENS DE MERA CIRCUNSTÂNCIA

O tema que adentro hoje é a poesia, que já existe na minha vida há algum tempo.

Certo é que tenho vários autores que me influenciaram e me incentivaram a ler mais e tentar escrever (digo tentar, pois, não passa disso realmente), mas um dos que mais me marcaram foi Carlos Drummond de Andrade.

Como se não bastasse ainda existiam pessoas mais próximas que foram culpadas por essa minha predileção, valendo citar algumas:

Primeiramente o saudoso mestre e primo Hélio Teles, professor de matemática, que conheci nos corredores da escola Estadual José Alzamora, passams a travar alguns debates e até mesmo conversas despretensiosas sobre qualquer coisa, durante o intervalo das aulas, vindo, posteriormente, a freqüentar sua casa, trocávamos alguns livros, me emprestava sua máquina de escrever e sempre falávamos de poesia, enfim, passei a cultivar realmente uma bela amizade, que foi interrompida de forma brusca com sua morte (confesso que chorei quando soube, mas tomei umas cervejas em sua memória, ouvindo Bethoven).

Certo é que este mestre dominava, dentre vários assuntos a literatura e a língua portuguesa como poucos e tinha uma cultura privilegiada. Um de seus feitos, que para ele nada dizia (pessoa sempre modesta), mas era de realmente ter orgulho, era uma era menção honrosa que ele tinha recebido junto à OEA – Organização dos Estados Americanos - por um conto escrito, que ganhou, naquela época, alguns dólares como prémio e, ainda a publicação em um livro de coletâneas de seu conto, pois tinha ficando em segundo lugar num concurso disputado por vários escritores e poetas de toda américa latina, o que chamava a atenção também é que ele ficava contrariado com a quantidade de erros cometidos no livro de sua obra, pois era muito detalhista e perfeccionista.

Bem, além do meu saudoso mestre, ainda vale mencionar a boa influência que meu amigo “Marcinho do Lauri” tinha, pois, apesar de ser uma pessoa muitas vezes taciturna (típico mineiro) para os outros (quem não o conhece) é detentor de uma vasta gama de conhecimentos, com uma inteligência ímpar, e adquiriu tudo isso lendo e lendo muito, ou seja, um completo autodidata, o que, tendo em vista nossa amizade e proximidade, passou a incentivar meus hábitos, até então não explorados nas páginas de Garcia Márquez, João Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, dentro outros, o que só tenho a agradecer e muito, além é claro de sua amizade, que prezo ainda muito em cultivar.

Também tenho gratidão pelo poeta e jornalista, que também já nos deixou, Marley de Moura, figura sempre presente nos acontecimentos culturais de Bambuí da época.

No que diz respeito à essa influência, apesar de ter tido pouco convívio, o que realmente não esqueço, é que numa certa ocasião apresentei algumas poesias minhas, quando então, muito delicadamente, ele apresentou algumas considerações (estavam muito ruins mesmo minhas tentativas de escrever poesias) e ainda, naquela ocasião, me aconselhou mais ou menos assim: “leia, leia e leia muito de tudo um pouco e isso irá ajudá-lo em suas palavras”, realmente um bom conselho que na época soube digerir bem, apesar de minha impetuosa adolescência.

Diante dos vários conselhos e influências passei a ler muito e grata também foi a ocasião em que me deparei com uns escritos de meu bisavô Elias Mourão, escritos com impecável letra (toda desenha e provavelmente escrita à pena) junto às páginas amareladas de uns livros, que sorrateiramente me apoderava da estante da casa de minha avó paterna sem que eles percebessem.

Ainda valendo mencionar que também fiquei feliz e porque não dizer orgulhoso em ler livros de meu primo e já escritor consagrado Rui Mourão (hoje diretor do museu da Inconfidência em Ouro Preto), que eram guardados pela minha tia Ana Leandro com muita dedicação (me cobrava a devolução dos mesmos quando demorava alguns dias a entregar!!!), sendo certo que um de seus livros tornou-se hoje um livro de cabeceira meu: Boca de Chafariz de 1992.

Mais hodiernamente passei a ter contato com meu primo, jornalista, poeta e escritor José Aloise Bahia, com vários livros escritos e com uma produção bem fértil junto à sites (vide Conópios indicado nos links que sempre faço visita) e eventos de arte e literatura.

Pois bem, José Aloise com suas agradáveis conversas (minha esposa Elen também adora tomar umas cervejas em sua companhia), dicas, e-mails, livros (empréstimos – jamais esqueço um livro que ele me emprestou sobre Kafka, escrito por Leandro Konder se não me engano), enfim, todo seu carisma e, diga-se de passagem, um exemplo de como realmente exprimir sentimentos em seus versos de forma verdadeira.

Sobre José Aloise também me lembro de uma ocasião em que saímos juntos na noite belorizontina há vários anos e dormi em sua casa num colchão armado na sala e como não tinha intimidade para procurar em uma gaveta qualquer uma caneta e um papel, fiquei quase que a noite inteira acordado, para que, enfim, pudesse copiar uma poesia que tinha vindo à tona na madrugada, tentando vencer o sono e a ansiedade para passá-la para o papel, pois, não queria perdê-la.

No entanto, o que acabou acontecendo é que o sono venceu a batalha e claro, no outro dia, com meu grau de etilismo reduzido à uma sutil e insistente ressaca a referida poesia não me pareceu assim tão bela e totalmente desnecessário o meu sono perdido!

Jamais esqueço também algumas rodas que fazíamos, eu e alguns amigos: Márcio “Barracos”, Alessandro “AM”, Marcim do Lauri e Marcus “Nana” para bebermos (todas por sinal!) e, após um certo grau de etilismo rabiscávamos cada um uma frase mais desconexa que a outra, as quais lidas num contexto geral acabavam tendo um certo sentido poético, mas claro ainda assim sem nexo algum!!! Era realmente muito prazeroso para mim na ocasião!

Como se não bastasse, li uma crônica escrita por Vinícius de Moraes, na biblioteca do Colégio Estadual João Batista de Carvalho em Bambuí, que me despertou ainda mais para a poesia, onde em apertada síntese ele expõe que, diferentemente, de um quadro que pode ser exposto numa parede em galerias, de uma sinfonia que pode ser executada para uma platéia, dentre várias outras formas de arte, a poesia, por sua vez, não poderia ser apreciada numa galeria ou executada em grandes teatros.

Diante disso ela seria aos olhos de leigos uma suposta arte inútil e que, dessa forma, essa suposta e pseudo inutilidade a tornava diante de todas as artes uma forma mais completa e sincera de arte por assim dizer e essa seria toda a beleza da poesia.

Bom, dito isso, meu intuito, além de tecer os comentários acima é destacar uma poesia feita por Carlos Drummond de Andrade, que pode ser encontrada no livro Boitempo III (esquecer para lembrar) e intitulada “Três no Café”.

Confesso a vocês que é uma das poesias que mais gosto, pela simplicidade e pela plasticidade textual magnífica de gestos, sentimentos, cor e sons, numa perspectiva tridimensional em um plano único, conseguindo passar um encontro qualquer entre o poeta, seu velho pai e a banalidade da vida, com a morte sempre rondando, o tempo passando, o respeito entre o filho e pai, enfim a efemeridade de um simples e ao mesmo tempo complexo encontro.

Vale destacar que me marcou e, ainda hoje me marca também é a frase final desse singelo/complexo poema: Imagens de mera circunstância ou do obscuro irreparável sentido de viver.

Portanto, amigos para que vocês possam avaliar e se deleitarem eis o referido poema:

TRÊS NO CAFÉ

No café semideserto
A mosca tenta
Pousar no torrão de açúcar sobre o mármore.
Enxoto-a. Insiste. Enxoto-a.
A luz é triste, amarela, desanimada.
Somos dois à espera
De que o garçom, mecânico, nos sirva.
Olho para o companheiro até a altura da gravata.
Não ouso subir ao rosto marcado.
Fixo-me na corrente do relógio
Presa ao colete; velhos tempos.
Pouco falamos. O som das xícaras,
Quase uma conversa. Tão raro
Assim nos encontrarmos frente a frente
Mais que por minutos.
Mais raro ainda
Na banalidade do café.
A mosca volta.
Já não a espanto. Queda entre nós,
Partícipe de mútuo entendimento.
Então, é este o mesmo homem
De antes de eu nascer
E de amanhã e sempre?
Curvado.
Seu olhar é cansaço de existência,
Ou sinto já (nem pensar) a sua morte?
Este estar juntos no café,
Não hei de esquecê-lo nunca, de tão seco
E desolado – os três
Eu, ele, a mosca - :
Imagens de mera circunstância
Ou do obscuro
Irreparável sentido de viver.

É claro que muitos de vocês talvez não sintam a mesma força que senti na ocasião em que li pela primeira vez estes versos e essa é a beleza de uma poesia, que pode ser apreciada de vários ângulos e dependerá sempre do momento em que o leitor esteja lendo e de seus sentimentos na ocasião da leitura.
No meu caso a referida poesia ainda rendeu duas “tentativas” de escrever poemas, que explicitamente demonstram minha influência, senão vejamos:

CAMINHAR A ESMO

O homem caminha cambaleante e taciturno,
Alheio a tudo e todos ligados a ele.
Em sua embriaguez brota-lhe tamanha sensibilidade
Que não se contem e rompe-se em prantos.
Lamúrias não o recomporão em nada!

O homem já não caminha,
Agora se encontra inerte e ermo,
Olhando fixamente para o solo,
Onde pisou em vão (até agora).
Buscando uma tentativa frustrante de reencontrar seus sonhos.

O homem já não irá mais caminhar,
Não compreende o sentido de viver.
Entregou-se totalmente à ferrugem dos dias,
Talvez originada por derrotas ao longo de sua trajetória.
Fazendo disso uma camuflagem para seus erros.

O homem jamais caminhou,
Pois, foi e sempre será paciente
Do escoar do tempo e da vida
Em taciturnidades quase constantes.
Enfim, suas pernas foram amputadas por sua afasia!

ANALOGIA
O pássaro voa, insistentemente, contra o vento,
Até ser vencido pela fadiga
e falta de vontade em continuar vivendo.
Deixa, então, ser levado numa completa nau aérea...
Movido por um instinto fugaz, ele luta contra si mesmo,
Enquanto o sedento oceano abaixo o espera para engolir.

Por outro lado, a mosca permanece inerte,
Alheia aos sentimentos (in) humanos
Que podem findar
Seu banal sentido de vida,
Pois, uma simples mão pode tornar fatal seu descuido!

“Tudo sendo um”, eles se parecem.
Não em “relevância social”,
Mas numa constante necessidade de sobrevivência.
Porque estar vivo é nos depararmos com a surreal visita da morte,
Mesmo na mais “suposta” banal forma de vida.

Esta é a única certeza que carregamos.

Pois, “após o jogo peão e rei voltam à mesma caixa”.

Portanto, acredito que poesia é a mais sincera das artes e representa para mim não somente uma forma de expressão, mas um diário, no qual tento exprimir meus sentimentos e angústias vivenciadas num dado momento, tornando-se, dessa forma, uma “válvula de escape” cotidiana.

Grande abraço para todos vocês meus amigos e não se esqueçam leiam de tudo um pouco, mesmo que seja uma simples bula de remédio, pois, as palavras estão soltas no ar e cabe a nós aproveitarmos...

IVARLENO TELES


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MAQUIAVÉLICO - termo pejorativo ou atualidade?

Novamente sinto necessidade de adentrar no tema da política, ou seria melhor utilizar a palavra arriscar-me?

Na ocasião tentarei rabiscar algumas idéias e estudos acerca da obra e do pensamento político de Maquiavel (Nicolau Maquiavel -1469-1527), ou como se pronuncia: Niccolò Machiavelli.

Pois bem, ele foi um dos mais originais pensadores do período considerando renascimento, uma figura brilhante, mas, também trágica, pois, o seu nome era e ainda é sinônimo de crueldade, não havendo pensador mais odiado, nem mais incompreendido do que Maquiavel. A fonte deste engano é o seu mais influente e lido tratado sobre o governo, “O Príncipe”, um pequeno livro que tentou criar um método de conquista e manutenção do poder político.

Sem adentrarmos nos mérito quanto ao conteúdo erigido de suas páginas, que se amoldavam às necessidades da época em que fora escrita a obra, valendo destacar que o pensamento de Maquiavel tem uma importância ímpar nos estudos políticos de forma histórica.

Fato é que ele estabeleceu uma nítida separação entre a política e a ética, bem como deixou de lado a antiga concepção de política herdada da Grécia antiga, que visava compreender a política como ela deveria ser.

Maquiavel preferia estudar os fatos como eles são na realidade.

Nesse sentido, sua obra teórica constitui uma reviravolta da perspectiva clássica da filosofia política grega, pois o filósofo partiu “das condições nas quais se vive e não das condições segundo as quais se deveria viver”. Sua teoria desmascarou as pretensões morais e religiosas em matéria de política. Mas ele (ao contrário do que equivocadamente se difunde) não pretendia criar um manual da tirania perfeita e é importante frisar isso.

Maquiavel procurava promover uma ordem política inteiramente nova, em que os mais hábeis utilizassem a religião para governar, isto é, para arrancar o homem à sua maldade natural e torná-lo bom.

A novidade na referida obra foi a separação da política da ética. Aristóteles tinha resumido esta posição quando definiu a política como uma mera extensão da ética. A tradição ocidental, via a política em termos claros de: certo e errado, justo e injusto, correto e incorreto, e assim por diante. Por isso, os termos morais usados para avaliar as ações humanas eram os termos empregados para avaliar as ações políticas.

Maquiavel foi o primeiro a discutir a política e os fenômenos sociais nos seus próprios termos sem recorrer à ética ou à jurisprudência. De fato pode-se considerar Maquiavel como o primeiro pensador ocidental de relevo a aplicar o método científico de Aristóteles à política.

Portanto, ele observou os fenômenos políticos e leu tudo o que tinha sido escrito sobre o assunto, e, diante disso, descreveu os sistemas políticos nos seus próprios termos.

Para Maquiavel, a política era uma única coisa: conquistar e manter o poder ou a autoridade (isso me parece bem atual em nossa política interna e contemporânea). A única coisa que, verdadeiramente, interessa para a conquista era a manutenção do poder manter é ser calculista; o político bem sucedido sabe o que fazer ou o que dizer em cada situação e, desse tipo nosso país é fértil.

Vale destacar que Maquiavel acreditava que a situação italiana naquela época era desesperada e que o estado Florentino estava em perigo. Em vez de responder ao problema de um ponto de vista ético, Maquiavel preocupou-se genuinamente em curar o estado para o tornar mais forte. Por exemplo, ao falar sobre os povos revoltados, Maquiavel não apresenta um argumento ético, mas cirúrgico: “os povos revoltados devem ser amputados antes que infectem o estado inteiro.”

Sua obra expressa claramente o pensamento da época, mas pelo que temos passado, é livro de cabeceira de muitos políticos ainda hoje, que tentam seguir ou deturpar suas idéias ao “pé da letra”.

Suas obras, com o passar do tempo foram consideradas em vários países como expressão de cinismo político, advindo daí o sentido pejorativo de termos como “maquiavélico” ou “maquiavelismo”.

Maquiavel tem por ponto central a forma de controle, que pode ser fácil ou problemática.

No referido livro pode-se concluir que os príncipes não deveriam tentar reunir todas as qualidades consideradas boas, mas se concentrar em absorver aquelas que lhe garantam a manutenção do Estado (bolsa família, por exemplo). Mas a questão a qual o autor mais se atém é que o príncipe deve evitar de todas as maneiras adquirir duas delas: o ódio e o desprezo de seus súditos (leia-se IBOPE).


Mapa de Florença Tupiniquim

Dentre as qualidades apontadas em suas idéias estão a generosidade, que deve se balanceada pela parcimônia, a economia. O príncipe deve ser generoso, mas não muito, pois, pode adquirir má fama entre aqueles que não forem beneficiados por esta generosidade, além de atentar para o detalhe de que geralmente, quando alguém ganha, outros perdem, e isso pode gerar o ódio ao príncipe, o que deve ser evitado a qualquer custo. Tão antagônicas quanto as características apontadas acima estão a crueldade e a piedade. Aliás, as considerações a este respeito tornaram boa parte da fama de Maquiavel, com suas afirmações em relação a ser temido ou amado.

Ele ainda afirma que, na impossibilidade de reunir ambas características, ou de ter que renunciar a um deles, é melhor ser temido, pois trair a alguém a quem se teme é bem mais difícil do que a quem se ama. No entanto, ao passo que não se conquista o amor, deve-se evitar o ódio, respeitando os bens e as mulheres dos súditos. Quanto à palavra do príncipe, afirma, ainda, que este deve procurar mantê-la, mas, quando isto não for possível, deve usar artifícios para “...confundir a mente dos homens...” pois estes, “...No final, superaram os que sempre agiram com lealdade”, como é hodiernamente atual a obra desse pensador político!!!

Certo é que quando estudei a referida obra na faculdade percebi liames que pudesse comparar com a atual política praticada, bem como, ao mesmo tempo tentava dissecar de forma puramente científica a essência crucial da importante obra para a humanidade e acredito que o que mais pude compreender é que devemos saber o que e aonde pode chegar a busca constante de Poder e como, diante disso, podemos separar o "joio do trigo" na hora da colheita (eleição). 
Para finalizar, também segundo Maquiavel, o “...príncipe prudente não pode, nem deve, manter a palavra dada, quando lhe for prejudicial”(Meu Deus já vi esse filme antes!!!).

Portanto, meus amigos, vivemos num principado maquiavélico numa "Florença Tupiniquim" em pleno século XXI e pelo jeito que ainda se projetará por longos e tenebrosos anos...





quarta-feira, 15 de setembro de 2010

BUSHIDO - 武士道

“A vida de alguém é limitada; a honra e o respeito duram para sempre.” (Miyamoto Musashi)

 
Hoje vivemos numa sociedade sem ética, moral e respeito ao próximo, sendo certo que todos (sem generalizar claro), por mais que saibam que determinadas atitudes estejam erradas sempre pensam primeiramente no próprio bem estar, sem se importarem com quem irá ser prejudicado.

Preceitos como honra e respeito ao próximo, mesmo que este seja seu inimigo era um código de conduta utilizado por samurais no Japão feudal, época do chamado “Shogunato” (entre os séculos 12 e 19) em que homens utilizavam seus ensinamentos, suas espadas e suas próprias vidas para a proteção de uma sociedade e acima de tudo mantendo uma vida regrada e baseada em conceitos hoje totalmente esquecidos ou mesmo impossíveis de serem praticados, tendo em vista a sociedade em que vivemos e os valores que são pregados.

O que me leva, também, a escrever sobre o presente tema é a proximidade das eleições em nosso país e o que hoje a política representa (ou não) para mim.

Primeiramente destaco alguns diálogos que tive com minhas filhas: Viviane (minha mais velha) tem 9 anos e Thamires (minha filha do meio) com 5 anos.

Sempre que posso levo e busco as duas na escola e no caminho “travamos” alguns “debates” interessantes, senão vejamos:

Certa vez ao atravessarmos a rua, um carro simplesmente avançou o sinal e, naquela ocasião enfatizei, que tendo em vista essas atitudes deveriamos tomar muito cuidado mesmo com o sinal fechado/aberto, olhando para os dois lados ao atravesar, então Thamires me perguntou se os carros não tinham que parar. Eu disse “claro que têm senão a polícia...” e Thamires logo disse: “atira no carro papai?”, “...não claro que não minha filha a polícia pode multar o carro” E ela novamente disse e “atira também, a polícia atira em todo mundo!” e eu afirmei que não era essa a verdade.

Então Viviane entrou na conversa: “Será que multam mesmo papai?” E eu disse: “Claro filhinha, pois, é errado ultrapassar o sinal fechado!” E ela disse: “Mas nem todo policial vai multar não é mesmo!” E eu falei: “Olha minha filha porque você está dizendo isso?” E ela me disse: “Porque tem muitos que são corruptos” Aquilo me deixou perplexo e, claro, questionei porque ela pensava assim e logo em seguida ela mudou de assunto.

Mas Thamires ainda falou “a polícia mata criança e várias pessoas papai, eu tenho medo da polícia”, e eu disse não minha filha ela só mata por engano, quem mata são os bandidos, ladrões (mas claro que no fundo estava triste por ser um pouco de verdade, tendo em vista os noticiários que somos bombardeados todos os dias, com a mídia distorcendo e invertendo os papéis, bem como a nua e crua realidade cotidiana).

Aquela conversa me entristeceu, pois, vivemos sim numa realidade distorcida e a inversão de valores é gritante, chegaremos ao ponto de nossas crianças não saberem qual a diferença entre o bem e o mal, o mocinho e o vilão?! Antigamente era fácil saber, mas hoje...

Como se não bastasse ainda “discutimos”, noutra ocasião, sobre quem era candidato a presidente, governador, o que fazia um deputado e de repente volta a tona a mesma pergunta, feita, por Viviane: “O Lula é corrupto papai?”, “o que você acha da Dilma e porque não vota nela?”, fiquei numa encurralada e gaguejei algumas desculpas desconexas me quedando em silencio depois, talvez por covardia na ocasião ou prudência, pois, elas provavelmente não entenderiam meu ponto de vista e o porquê cheguei à conclusão de que hoje não tenho mais ilusão quanto a “nossos” representantes tanto no governo quanto no congresso nacional e para quem está começando agora seria com um “balde de água fria”, não é mesmo?!.

É triste, mas a realidade é que falta a todos o verdadeiro conceito de ética e moral. São palavras que hoje até vemos muito divulgadas. Existem códigos de ética de profissões (do advogado, por exemplo), do servidor público, existe princípio da moralidade difundido em vários livros de doutrinas, em provas de concurso público, o que nos levaria a acreditar que seja algo constantemente utilizado por todos, o que não é verdade!

Por isso o ponto nevrálgico do tema hoje é o Bushido (em japonês: 武士道), que significa, literalmente, “caminho do guerreiro” e trata-se de um código de conduta e o modo de vida para os Samurais viverem e morrerem com honra.

Era tão necessária a honra que caso algum samurai tivesse qualquer conduta indigna o mesmo praticava suicídio, que no caso deles era praticado através de um ritual onde eles se preparavam com banhos de purificação, escreviam poemas e tinham testemunhas, o mesmo era chamado de “Haraquiri” e significava algo como (“cortar a barriga”) ou “Seppuku” (“cortar o ventre”), que seria uma expressão mais nobre para este ato, o ritual também podia ser realizado no campo de batalha, para evitar a captura pelo exército inimigo.

Um ditado samurai diz o seguinte: “Perca a honra e a vida também estará perdida”

O Bushido foi formado e influenciado pelos conceitos do Budismo, Xintoísmo e Confucionismo. A combinação dessas doutrinas e religiões formaram o código de honra do guerreiro samurai, conhecido por Bushido.

Em função das influências do Budismo, os samurais não temiam a morte, pois acreditavam na existência da vida após a morte: (ex: kamikazes) renasceriam no encargo de guerreiro em suas contínuas reencarnações. Os samurais também não temiam os perigos, uma vez que as técnicas de meditação do Zen foram usadas como um meio de limitar esse temor. Com os ensinamentos Zen, os samurais buscavam entrar em harmonia com o seu “Eu interior” e com o mundo à sua volta. O desapego era a base do samurai e, com a prática do desapego, os samurais formaram a maior casta de guerreiros que já existiu.

O Bushido foi influenciado também pelos preceitos do Xintoísmo, como a lealdade, o patriotismo, e a reverência aos seus antepassados. Com tal lealdade para com a memória de seus ancestrais, os samurais empenhavam essa mesma reverência ao imperador e ao seu daimyo ou senhor feudal. O Xintoísmo também fornece a importância para o patriotismo com o seu país, o Japão. Eles crêem que a Terra não existe apenas para suprir as necessidades das pessoas. "É a residência sagrada dos deuses, dos espíritos de seus antepassados…" A Terra deve ser cuidada, protegida e alimentada por um patriotismo intenso.

O Confucionismo oferece ao Bushido a sua crença em relação aos seres humanos e às suas famílias. O Confucionismo ressalta o dever filial e as relações entre senhor e servo, pai e filho, marido e mulher, irmão mais velho e mais novo e entre amigos mais velhos e mais novos, que são seguidas pelos samurais. Junto com estas virtudes, o Bushido também prega a justiça, benevolência, amor, sinceridade, honestidade e autocontrole. A justiça é um dos principais fatores no código do samurai, assim como o amor e a benevolência, que são suntuosas virtudes dos samurais.

O seu maior princípio era buscar uma morte com dignidade.

Já imaginaram como ficaria manchado de sangue o chão de nosso Congresso Nacional?

Um samurai jamais poderia se entregar e deveria estar sempre preparado para a morte. Além disso, a honra do samurai, de seus antepassados e de seu senhor deveria ser preservada por ele. Outros aspectos importantes é que um samurai jamais pode fugir de uma luta. Mesmo apenas um samurai contra um exército de oponentes, ele não pode abandonar a luta. O samurai também deve estar sempre do lado da justiça e ter compaixão com seu inimigo derrotado ou mais fraco. Lealdade, etiqueta, educação e noção de gratidão eram outras coisas que o Bushido pregava. Um samurai honrado deveria ser leal ao seu daimyo (senhor feudal), Shogun e Imperador.

No geral, guerreiro é aquele que procura o seu próprio caminho. Muitas pessoas podem estar perfeitamente a procurar o caminho sem se darem conta disso. Guerreiro é a pessoa que tem um objetivo e que, por meio deste, passa a ter consciência do seu dom e das suas limitações. Através dessa consciência, o guerreiro atinge a sua meta, combinada com a vontade de vencer as fraquezas, temores e limitações.

Tenho um grande amigo guerreiro (Márcio “Barracos”) que sempre se espelha nos preceitos do Bushido, por mais que seja difícil seu caminho, certo é que ele sempre encontra meios para discipar determinadas pedras e podar certas arestas, superando até mesmo o seu ímpeto inicial de um combate cego, no meio do caminho, creio que após uma boa reflexão, ele sempre retorna ao caminho específico.

Cada pessoa trilha o seu próprio caminho, já que existem vários caminhos: como o caminho da cura pelo médico, o caminho da literatura pelo poeta ou escritor e muitas outras artes e habilidades. Cada pessoa pratica de acordo com a sua inclinação.

Porém, no Bushido, a palavra guerreiro significa muito mais do que isso. O termo “bushi” não pode ser designado a qualquer um. O “bushi” é diferente, pois seus estudos do caminho baseiam-se em superar os homens. A casta guerreira distingue-se das demais pela sua fidelidade e honra, a palavra do guerreiro vale mais do que tudo.

O caminho do guerreiro é o caminho da pena e da espada, esse conceito vem do antigo Japão feudal e determinava que o guerreiro (bushi) dominasse tanto a arte da guerra quanto a leitura e que ele deve apreciar ambas as artes. O “bushi” deve aprender o caminho de todas as profissões, se informar sobre todos os assuntos, apreciar as artes e quando não estiver ocupado em suas obrigações militares, deverá estar sempre praticando algo, seja a leitura ou a escrita, armazenando em sua mente a história antiga e o conhecimento geral, comportando-se bem a todo momento para ter uma postura digna de um samurai, tudo isso sem desviar do verdadeiro caminho, o Bushido.

A etiqueta deve ser seguida, todos os dias da vida cotidiana, assim como na guerra pelos samurais. Sinceridade e honestidade são as virtudes que avaliam as suas vidas. Transcender um pacto de fidelidade completa e confiança está ligado à dignidade. Os samurais também precisavam ter autocontrole, desapego e austeridade para manter a sua honra, em função disso, podemos dizer que o samurai é o guerreiro completo e o seu código de honra - o Bushido - tem forte influência no estilo de vida do povo japonês e oferece uma explicação do carácter e da indomável força interior desse povo.

Para o Bushido, o caminho do guerreiro exige que a conduta de um homem seja correta em todos os sentidos, dessa forma, a preguiça é um mal que deve ser abominado. Mas existem problemas quando a pessoa se apoia no futuro, pois torna-se preguiçosa e indolente, já que deixa para amanhã, aquilo que poderia ser feito hoje. Pessoas que agem dessa maneira, não seguem o verdadeiro preceito do Bushido, que de um modo geral, é a aceitação final da morte.

Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla as pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-las novamente e, portanto, o seu dever e consideração às pessoas serão profundamente sinceros. O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte, dessa maneira, ele não se meterá em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior, já que assim ele pode acabar sendo morto e isso resultaria na sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família. Se a idéia de morte é mantida, será cuidadoso e susceptível de ser discreto e não dirá coisas que ofendam às outras pessoas. Também não cometerão excessos doentios com a comida, bebida e sexo, usando a moderação e a privação em tudo, permanecendo livre de doenças e mantendo uma vida saudável.

Quando a Segunda Guerra chegou ao fim, o Japão era um território totalmente destruído. Mas, em menos de 30 anos o país se tornou a segunda maior potência econômica do planeta. Esse inegável sucesso intrigou o mundo ocidental e fez os maiores especialistas se debruçarem sobre o fenômeno. Hoje, já se sabe que um desses segredos foi a herança do Bushido (Caminho do Guerreiro), o código de conduta dos samurais.

O guerreiro que melhor representou esse espírito foi Miyamoto Musashi, o mais habilidoso espadachim japonês que viveu entre 1584 e 1645. Pouco antes de morrer, ele escreveu Go Rin No Sho (O Livro dos 5 Anéis), um complexo tratado filosófico destinado a seus discípulos.

 
O bushido tinha como principais itens:

1. A busca de uma morte digna. O samurai deveria estar pronto para morrer a qualquer momento;
2. A preservação da honra pessoal, de seus ancestrais e de seu senhor;
3. Ao falhar ou manchar sua honra, dos ancestrais ou de seu senhor, o samurai teria de cometer o suicídio ritual, o seppuku;
4. O guerreiro deveria sempre carregar consigo o seu par de espadas. A espada era a sua alma;
5. Ser corajoso. Melhor morrer do que ser chamado de covarde;
6. Ser justo e benevolente com os mais fracos, mas exigir respeito;
7. Manter sua palavra a qualquer custo;
8. Dedicar-se às artes como forma de aperfeiçoamento;
9. Ter gratidão à família e às pessoas que o ajudaram;
10. Lealdade ao seu senhor e dedicação ao trabalho.

Algumas citações clássicas japonesas influenciadas pelo Bushido:
“Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você vir o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho.”

“Um samurai deve antes de tudo ter sempre em mente, dia e noite, desde a manhã de ano novo, quando pega os palitos para comer e tomar café, até a noite do último dia do ano, quando paga suas faturas, o fato de que um dia irá morrer. Essa é a sua principal tarefa.”

“Seguir o bushido é dar ênfase à lealdade, fidelidade, auto sacrifício, justiça, modos refinados, humildade, espírito marcial, honra e, acima de tudo, viver e morrer com dignidade”.

Os samurais desapareceram do Japão no período Meiji, com a perda de sua hegemonia e de seus privilégios. Algumas escolas desses guerreiros sobreviveram e ensinam o que atualmente é chamado de “kenjutsu”.

Para aprofundar mais sobre o tema, caso queiram, aqui vai algumas dicas:

Livros:

- O Livro dos Cinco Anéis - Miyamoto Musashi;
- Bushido O Código Do Samurai – Daidoji Yuzan;
- Bushido: O Caminho do Samurai - Tsuramoto Tashiro;
- Estratégia Samurai –Boyé Lafayette De Mente;
- Samurai – O Lendário Mundo dos Guerreiros – Stephen Turnbull;
- Enciclopédia dos Samurais – Stephen Turnbull;
- O samurai - A vida de Miyamoto Mushasi - William Scott Wilson;
- Shogun – James Clavell;
- A Arte da Guerra – Sun Tzu.

Filmes:

Vale ressaltar que um dos diretores que mais se dedicou e com maestria a contar a história dos samurais é Akira Kurosawa:

- Os Sete Samurais (1954) (O melhor de todos de Kurosawa na minha visão);
- Trono Manchado de Sangue (1957);
- Yojimbo (1961);
- Sanjuro (1962);
- Ran (1985) (vencedor de Oscar e baseado na obra de Shakeaspeare “Rei Lear”) :
- Depois da Chuva (2000).
Dentre vários outros do Mestre Kurosawa, mas estes valem mencionar.
- Shogum (1980) dirigido por Jerry London e baseado na obra de James Clavell, já citado acima;
- O Último Samurai (2003), com Tom Cruise;
- Zatoichi (2003).

E vários outros, portanto, meus amigos guerreiros, devemos cultivar valores como se fossemos samurais modernos baseados em códigos de conduta com valores morais e sempre cobrarmos de nossos governantes além de exemplos, o mínimo de decência para com a máquina do Estado tem a finalidade única de conduzir o “bem comum”.

 
Cuidado na hora de seu voto, que é a única maneira de conduzirmos o destino de nosso país, estado, cidade e, conseqüentemente o futuro de nossos filhos, grande abraço a todos.